
Quais seriam as ligações que podem unir Brasil e Grécia? Muito além do povo caloroso, da cultura rica e da culinária variada; Brasil e Grécia podem ter muito mais em comum do que pode parecer a uma primeira vista.
A enorme crise financeira que assola o país europeu vem da aplicação de políticas populistas e imediatistas que simplesmente exauriram a capacidade pagadora da nação e tornaram impossíveis o custeio da dívida interna/externa e a manutenção em funcionamento da máquina governamental.
Políticas sociais abrangentes e irreais, aliadas a uma profunda irresponsabilidade na gestão do bem público grego e a (nossa conhecida) vontade de assegurar um plano de poder visando o planejamento apenas até a próxima eleição; acabaram transformando a Grécia em um atoleiro que a comunidade européia terá que digerir.
Mas, o que isso tem a ver com o Brasil?
Talvez nada. Contudo, um sinal de alerta pode soar nas mentes de nossos governantes. Na ânsia de garantir “um bom governo” e de fazer o seu sucessor, o governo brasileiro vem patrocinando aumentos não previstos de verbas sociais (bônus para o Bolsa Família e prorrogação de benefícios que já deveriam ter caducado) apenas como forma de garantir a maior massa de eleitores possíveis e assegurar a eleição de seu sucessor.
Isso já seria trágico se fosse restrito apenas ao pensamento do PT. Mas, como é de praxe, a ânsia eleitoral e a falta de planejamento de longo prazo é uma constante em nossa classe política. Sejam de quais partidos forem, os chefes do executivo (em todos os níveis da República) usam e abusam das canetas e das benesses sem preocuparem-se com o futuro.
No caso específico do governo Lula, já se pode vislumbrar uma conta a ser paga, pelo futuro presidente (até o momento só com o PAC), da ordem de 35 bilhões de reais para o ano que vem. Isso já é superior a tudo o que estava previsto para ser gasto com o próprio PAC neste ano (30,3 bilhões de reais).

Somando-se a isso a queda de arrecadação, os gastos com o Bolsa Família (que não se reduzem e só aumentam), os planos para a implementação do PAC 2 (a ser lançado antes da eleição), os aumentos para o salário mínimo e o custo, em franca alta, da manutenção da máquina pública cada vez mais inchada, o Brasil pode estar embrulhando para viagem uma verdadeira batata quente para a próxima administração (seja ela de quem for). Os próprios cortes orçamentários, adiantados por Lula este mês, já mostram que o próprio governo prevê que a maré será difícil no próximo ano.
Se levarmos em consideração que a economia está em franco crescimento e, por conseguinte, a arrecadação deverá se elevar na mesma proporção ou até além (como espera o governo); o anúncio do corte de 21,8 Bilhões de reais do orçamento pode esconder uma verdade inconveniente que o governo procura mascarar ou empurrar para após as eleições. Mais ou menos como FHC fez para conseguir a sua reeleição. Na época, o Real, ia às “mil maravilhas” até a realização das eleições. Logo após o pleito, uma derrocada geral culminou com a quase falência do país junto aos seus credores. Evidenciando a clara maquiagem que se fazia nas contas do país. Tudo para se conseguir a reeleição a todo custo.
Tomara que a história não se repita e a Grécia continue sendo apenas uma terra de gente alegre, cultura milenar e culinária saborosa. Além disso, esperamos que o “Efeito Orloff” seja apenas coisa de comercial antigo.
Pense nisso.
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Nota do editor: Se você não sabe o que é o “Efeito Orloff”, assista ao comercial para entender.