OSCAR

Neste artigo, vamos esclarecer algumas dúvidas que muitos tem à respeito do Oscar:

Afinal de contas, quem vota? O que é a "Academia"? Tem algum prêmio em grana ou é só a estatueta? O que é um "Filme de Oscar"?

Essa semana saíram os indicados do Oscar 2011, e junto dos filmes e atores indicados, veio junto aquela enxurrada de clichês pelo twitter, dizendo que o Oscar não vale mesmo nada, que é um absurdo as escolhas que os “velhinhos da academia” fazem.

Enfim, discordar da indicação de um filme que você não gostou é natural, assim como achar que algum dos seus filmes favoritos foi injustiçado. Mas os argumentos por trás disso tudo é que acabam revelando que, no fim das contas, a grande maioria das pessoas não faz a menor idéia de quem vota no Oscar e de como funciona a escolha dos filmes.

O Oscar vale de alguma coisa?

Bem, essa pergunta pode valer para qualquer tipo de premiação em qualquer área de atuação. Mas se, para começar, você acha que o Oscar é irrelevante, não faz sentido você ler esse artigo - e nem ficar de mimimi se um filme é indicado ou não, se ganha ou não.

Mas voltando ao assunto: um prêmio, seja ele qual for, é o reconhecimento por um trabalho bem feito. Claro, em algumas áreas o prêmio deixa de ser consequência e passa a virar objetivo, como acontece muito na minha profissão mesmo, a publicidade. Mas na essência, a idéia é boa.

Nesse sentido, o Oscar e outros prêmios têm sim importância para quem trabalha com cinema (mesmo para alguns produtores mais comerciais – tipo o Jerry Bruckheimer – essa importância só exista porque ter “ganhador de tantos Oscars” num pôster ou capa de DVD vai render mais grana). E por se tratar de uma indústria cujo produto chega a bilhões de pessoas todo ano, acaba tendo uma certa importância pro público também.



Mas por que o Oscar é o reconhecimento mais importante do cinema? Em primeiro lugar, porque é o principal prêmio dessa indústria nos EUA, que se não é o maior produtor (esse posto é da Índia), pelo menos é o que tem o maior alcance global.

E em segundo lugar, porque é o que tem o critério menos discutível. Menos até que aqueles festivais europeus que aquele seu amigo pedante cansa de babar o ovo. Duvida?

Quem vota? Quem são os “velhinhos da academia”?

Bem, o Oscar é o prêmio mais criterioso porque quem vota nele são justamente as pessoas que trabalham com cinema. É o produtor, o diretor, o ator, o roteirista, fotógrafo, figurinista, maquiador, etc, etc, etc. É quem vive o dia a dia da profissão, conhece os detalhes e entende do que está falando.

É como se houvesse um prêmio para profissionais de saúde. Quem você acha melhor para avaliar os melhores? Médicos, enfermeiros e afins ou aquele paciente que gostou da tala que o doutor fez no braço fudido dele?



Para entrar na Academia, existem duas formas: ou por convite de quem já é membro, sob aprovação da diretoria, ou sendo indicado para algum prêmio. Ou seja, só quem faz cinema, e teoricamente bem, pode entrar. Inclusive são vários brasileiros que já entraram na Academia, como o Fernando Meirelles, Walter Salles, Daniel Rezende e até a Fernanda Montenegro, entre muitos outros. Boa parte parou de pagar a anuidade e não faz mais parte, mas foi por opção própria.

É bom esclarecer isso para apagar aquele velho clichê dos velhinhos, falado com tom de deboche e menosprezo. Muitos membros são velhinhos sim, mas não estão lá porque algum dia na vida fizeram algo foda no cinema e mereceram ser aceitos. E aí a idade chegou. Eles lá tem culpa de terem sobrevivido?


Aí estão 3 “velhinhas” da Academia


Outra coisa que pouca gente sabe, é que durante as indicações, as pessoas só votam para melhor filme e para o seu departamento. Atores indicam os atores, diretores indicam diretores e assim em diante. Ou seja, é feito por quem vive a profissão mesmo. Em alguns casos específicos, como Filme Estrangeiro, existem comissões especiais, mas ainda assim, só com acadêmicos, gente do meio.

Não que não errem às vezes (ou melhor, frequentemente), e o lobby sempre tem uma certa influência (a chance de fazer história dando prêmio para filme com determinado tema ou premiar algum ator/atriz inusitado sempre enche os olhos dos acadêmicos), mas pelo menos têm propriedade para falar do assunto.


Ok, nem todos.


Outra coisa que pode prejudicar ou favorecer um indicado ou outro é que os votos são proporcionais durante a indicação. O acadêmico deve dar peso de 1 a 5 para cada voto, favorecendo seu preferido. Assim, um ator pode ter sido lembrado por muita gente, mas favorito de poucos, e com indicações de peso baixo, acaba ficando de fora, por exemplo.

Mas pequenos problemas à parte, por ser uma massa de quase 6 mil membros, essa eleição acaba evitando alguns favoritismos e panelinhas que os festivais europeus têm. Nesses festivais, tão elogiados pela turma metida a alternativa, o júri é formado por poucas pessoas e tende a ter distorções.

Por exemplo, no último Festival de Veneza, com júri presidido pelo nosso tão querido Tarantino (e que por sinal, é acadêmico) o Leão de Ouro foi para o massacrado Um Lugar Qualquer, da sua grande amiga (e ex peguete) Sofia Coppola. Estranho, né? Outra coisa que pode prejudicar ou favorecer um indicado ou outro é que os votos são proporcionais durante a indicação. O acadêmico deve dar peso de 1 a 5 para cada voto, favorecendo seu preferido. Assim, um ator pode ter sido lembrado por muita gente, mas favorito de poucos, e com indicações de peso baixo, acaba ficando de fora, por exemplo.

Mas pequenos problemas à parte, por ser uma massa de quase 6 mil membros, essa eleição acaba evitando alguns favoritismos e panelinhas que os festivais europeus têm. Nesses festivais, tão elogiados pela turma metida a alternativa, o júri é formado por poucas pessoas e tende a ter distorções.

Por exemplo, no último Festival de Veneza, com júri presidido pelo nosso tão querido Tarantino (e que por sinal, é acadêmico) o Leão de Ouro foi para o massacrado Um Lugar Qualquer, da sua grande amiga (e ex peguete) Sofia Coppola. Estranho, né?


- Sofia? Já comi!


Isso sem falar que esses festivais só julgam os filmes que participam dele, e não fazem um panorama geral do ano. Comparar os ganhadores deles com os do Oscar simplesmente não faz sentido, porque são propostas diferentes.

A outra alternativa seria votação popular, mas a maior prova que esse sistema para prêmios não funciona é que já existe o People’s Choice Awards, e quem ganhou ultimamente para Melhor Filme foi um dos longas da série Crepúsculo.


Preciso dizer mais alguma coisa contra votações populares?


“Filme de Oscar”

Outra frase comum que se ouve nessa época do ano é “filme tal é bom, mas não é filme de Oscar“. O que raios é um filme de Oscar? Teoricamente deve ser simplesmente o melhor filme daquele ano na opinião dos profissionais de cinema. M

as acho que as pessoas botaram na cabeça filmes como E O Vento Levou, A Noviça Rebelde, Casablanca e O Poderoso Chefão. Esses filmes são clássicos. Eternos. E não é o Oscar ou a falta dele que define isso. Se um filme foi o melhor do ano, mas não vai ser um clássico, problema é dos outros filmes, e não dele.

Quem aqui já viu Marty? Ganhou o Oscar nos anos dourados de Hollywood. E Kramer X Kramer? Um ótimo filme, com atuações incríveis de Dustin Hoffman e Meryl Streep, que ganhou Melhor Filme em 1980, mas longe de ser um clássico.



Pior é se essas pessoas imaginarem que “filme de Oscar” é um filme que tenha apenas jeitão de clássico. Um épico, ou biografia sobre superação, etc. Foi essa mentalidade que gerou muitas porcarias que acabaram levando a premiação, filmes que seguiam a fórmula para ganhar, como Uma Mente Brilhante (até hoje, lembrar que esse engodo venceu filmes como A Sociedade do Anel, Gosford Park e Moulin Rouge me faz engrossar o coro da turma do mimimi).

Enfim, não existe esse papo de filme de Oscar. O que existem são os melhores filmes de cada ano e filmes clássicos. Às vezes eles coincidem, mas esperar que um seja sempre o outro é meio sem sentido. É como achar que pra ganhar a Copa do Mundo toda seleção tem que jogar tanta bola quanto o Brasil de 70 (seria ótimo se fosse assim, mas é ridículo esperar isso).



Mas e daí?

E daí que você pode continuar discordando das indicações, é seu gosto pessoal. Ou ainda pode achar que o Oscar é uma merda que não vale nada. Mas aí não faz sentido você reclamar tanto dele, basta não ver e cagar para a existência do prêmio.

Mas seja qual for sua escolha, achei útil dar essa passada geral no processo de escolha, só pra não precisarmos ler ano após ano tanto comentário desinformado.

Afinal, reclamar faz parte, mas falar besteira fica feio.


E por falar em feio…


Caso você seja da turma que vai optar por continuar reclamando, segue abaixo a lista completa dos indicados ao Oscar 2011:

Melhor Filme

Cisne Negro
O Vencedor
A Origem
Minhas Mães e Meu Pai
O Discurso do Rei
127 Horas
A Rede Social
Toy Story 3
Bravura Indômita
Inverno da Alma

Melhor Direção

Darren Aronofsky, Cisne Negro
David Fincher, A Rede Social
Tom Hooper, O Discurso do Rei
David O. Russell, O Vencedor
Joel & Ethan Cohen, Bravura Indômita

Melhor Ator

Javier Bardem, Biutiful
Colin Firth, O Discurso do Rei
James Franco, 127 Horas
Jesse Eisenberg, A Rede Social
Jeff Bridges, Bravura Indômita

Melhor Ator Coadjuvante

Christian Bale, O Vencedor
John Hawkes, Inverno da Alma
Mark Ruffalo, Minhas Mães e Meu Pai
Geoffrey Rush, O Discurso do Rei
Jeremy Renner, Atração Perigosa

Melhor Atriz

Annette Bening, Minhas Mães e Meu Pai
Nicole Kidman, Reencontrando a Felicidade
Jennifer Lawrence, Inverno da Alma
Natalie Portman, Cisne Negro
Michelle Williams, Namorados para Sempre

Melhor Atriz Coadjuvante

Amy Adams, O Vencedor
Helena Bonham-Carter, O Discurso do Rei
Melissa Leo, O Vencedor
Hailee Steinfeld, Bravura Indômita
Jacki Weaver, Animal Kingdom

Melhor Filme Estrangeiro

Biutiful (México)
Dogtooth (Grécia)
Em Um Mundo Melhor (Dinamarca)
Incêndios (Canadá)
Fora da Lei (Algéria)

Melhor Roteiro Original

Christopher Nolan, A Origem
David Seidler, O Discurso do Rei
Mike Leigh, Another Year
Scott Silver, Paul Tamasy & Eric Johnson, O Vencedor
Lisa Cholodenko e Stuart Blumberg, Minhas Mães e Meu Pai

Melhor Roteiro Adaptado

Aaron Sorkin, A Rede Social
Marguerite Roberts, Bravura Indômita
Danny Boyle, Simon Beaufoy, 127 Horas
Debra Granik, Anne Rosellini, Inverno da Alma
Michael Arndt, Toy Story 3

Melhor Filme de Animação

Como Treinar o Seu Dragão
O Mágico
Toy Story 3

Melhor Fotografia

Cisne Negro, Matthew Libatique
A Origem, Wally Pfister
O Discurso do Rei, Danny Cohen
Bravura Indômita, Roger Deakins
Rede Social, Jeff Cronenweth

Melhor Documentário

Exit Through The Gift Shop, Paranoid Pictures
Gasland, Gasland Productions
Inside Job, Representational Pictures
Restrepo, Outpost Films
Lixo Extraordinário, Almega Projects Production

Melhor Documentário de Curta-metragem

Killing in the name
Poster girl
Strangers no more
Sun come up
The warriors of Qiugang

Melhor Montagem

Cisne Negro, Andrew Wesiblum
O Vencedor, Pamela Martin
O Discurso do Rei, Tariq-Anwar
127 Horas, Jon Harris
A Rede Social, Angus Wall e Kirk Baxter

Melhor Trilha Sonora

Como Treinar o Seu Dragão, John Powell
A Origem, Hans Zimmer
O Discurso do Rei, Alexandre Desplat
127 Horas, A.R. Rahman
A Rede Social, Trent Reznor e Atticus Ross

Melhor Direção de Arte

Alice no País das Maravilhas, Robert Stromberg , Karen O´Hara
Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte I, Stuart Craig (Design de Produção), Stephenie McMillan (Decoração de Set)
A Origem, Guy Hendrix Dyas (Design de Produção), Larry Dias and Doug Mowat (Decoração de Set)
O Discurso do Rei, Eve Stewart (Design de Produção), Judy Farr (Decoração de Set)
Bravura Indômita, Jess Gonchor (Design de Produção), Nancy Haigh (Decoração de Set)

Melhor Figurino

Alice no País das Maravilhas, Colleen Atwood
I Am Love, Antonella Cannarozzi
O Discurso do Rei, Jenny Beavan
A Tempestade, Sandy Powell
Bravura Indômita, Mary Zophres

Melhor Maquiagem

A Minha Versão do Amor, Adrien Morot
The Way Back, Edouard F. Henriques, Gregory Funk and Yolanda Toussieng
O Lobisomem, Rick Baker e Dave Elsey

Melhor Canção

Coming Home, Country Strong
I See The Light, Enrolados
If I Rise, 127 Horas
We Belong Together, Toy Story 3

Melhor Edição de Som

A Origem, Richard King
Toy Story 3, Tom Myers and Michael Silvers
Tron – O Legado, Gwendolyn Yates Whittle e Addison Teague
Bravura Indômita, Skip Lievsay e Craig Berkey
Incontrolável, Mark P. Stoeckinger

Melhor Mixagem de Som

A Origem, Lora Hirschberg, Gary A. Rizzo e Ed Novick
O Discurso do Rei, Paul Hamblin, Martin Jensen e John Midgley
Salt, Jeffrey J. Haboush, Greg P. Russell, Scott Millan and William Sarokin
A Rede Social, Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick and Mark Weingarten
Bravura Indômita, Skip Lievsay, Craig Berkey, Greg Orloff and Peter F. Kurland

Efeitos Visuais

Alice no País das Maravilhas, Ken Ralston, David Schaub, Carey Villegas e Sean Phillips
Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte I, Tim Burke, John Richardson, Christian Manz eNicolas Aithadi
A Origem, Paul Franklin, Chris Corbould, Andrew Lockley and Peter Bebb
Homem de Ferro II, Janek Sirrs, Ben Snow, Ged Wright and Daniel Sudick
Além da Vida, Michael Owens, Bryan Grill, Stephan Trojanski e Joe Farrell

Melhor Curta

The Confession
The Crush
God Of Love
Na Wewe
Wish 143

Melhor Curta Animado

Day & Night
the Gruffalo
Let´s Pollut
The Lost Thing
Madagascar

- – -

E aí? Do que gostaram e de quais discordaram? E quais seus palpites?

Fonte: Vida Ordinária

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