PRÍNCIPE DA PÉRSIA SE PERDE NAS AREIAS DO TEMPO

Depois de tantos "fiascos" cinematográficos adaptados do games, a nova tentativa de levar um grande clássico dos jogos pareceu que daria certo. Houve uma melhora, assim como nas adaptações de heróis dos quadrinhos, mas ainda falta algo... Com um roteiro fraco, Príncipe da Pérsia - um dos maiores jogos de ação da indústria - não é um filme ruim, porém, se perde na tentativa ser mais um filme familiar mergulhando em vários clichês e caindo no lugar comum. Os 200 milhões de dólares gastos, e a recepção abaixo do esperado, mostra que apesar de um personagem forte, o contexto pouco se sobressai.

O filme começa com Nizam (Ben Kingsley, formidável) armando o assassinato de seu irmão, Shahrman (Ronald Pickup), o soberano de Pérsia, e calculadamente, põe a culpa no príncipe Dastan (Jake Gyllenhaal) para poder assumir o trono. Dastan então é banido e começa a ser perseguido. Junto dele, está a misteriosa princesa Tamina (Gemma Arterton) que guarda uma adaga ancestral capaz de conjurar as areias do tempo - um presente dos deuses que pode fazer voltar o tempo e dar ao seu mestre o controle do mundo. O seu reino foi invadido pelos persas de forma traiçoeira, e ela acaba o ajudando, pois, tem de zelar pela adaga que agora está com Dastan.

Os pontos fortes do filme estão - como já esperado - nas cenas de ação, em que o personagem, assim como nos games, possui movimentos surpreendentes e uma agilidade fora do comum. À todo momento eles está pulando em telhados, escalando muros e fugindo. Algo que consegue segurar a atenção do público até o final. O problema apontado por muitos, está no ator Jake Gyllenhaal que não tem o estereótipo de personagens de ação. Porém, fica claro que a escolha é bem pensada, em busca de um público familiar (até feminino) que o conhece de diversos outros filmes, sendo o mais lembrado O Segredo de Brokeback Montain. Ou seja, é um bom ator que faz drama e tem buscado outros horizontes, já o estúdio o escalou para amaciar protagonista e focar na aventura, algo na minha opinião, respeitável. 

Mesmo com uma interessante trama e um rico personagem à mão, o que não cola em Príncipe da Pérsia, mesmo que bem adaptado, é a forçada tentativa de pincelá-lo com um novo Piratas do Caribe. Acaba mais infantilizado que o filme de Jack Sparrow e parecido com A Múmia. Teria chances de segui-lo, mas o enredo é tão batido, que nem uma visível metáfora da Guerra do Iraque, consegue envolver o público. De um todo, o que fica marcado aqui é uma feliz tentativa de emplacar um game para tela, com todo o cuidado que ele merece, por outro lado do que adianta levar para as tela um roteiro que não inova nos pontos de vista, é previsível e segue com a mesma mensagem moralista com vilões? Acaba sendo esquecido nas areias do tempo...

Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo
Prince of Persia: The Sands of Time
EUA , 2010 - 116 min
Aventura
Direção: Mike Newell
Roteiro: Boaz Yakin, Doug Miro, Carlo Bernard
Elenco: Jake Gyllenhaal, Gemma Arterton, Ben Kingsley, Alfred Molina, Steve Toussaint, Toby Kebbell, Richard Coyle, Ronald Pickup, Reece Ritchie

Trailer:

Fonte: Project Monkeys


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