Há momentos na vida das pessoas em que elas se sentem perdidas, acuadas, com raiva do mundo, pensando no que poderiam fazer ou ter feito. Nessas ocasiões, nada melhor do que uma boa garrafa de whisky e algumas canções de cunho extremamente depressivo para fazer as coisas piorarem ainda mais. Então lá vamos nós, caros amigos, para outra lista aqui do Acidez Mental.
Só peço encarecidamente que se caso o digníssimo leitor resolver chegar as vias de querer tomar a derradeira atitude contra a própria existência, tenha a gentileza de incluir em sua nota de suicídio que este blog não se responsabiliza por eventuais burradas cometidas por seus visitantes e que se vossos familiares quiserem me processar por isso, tenham em mente que não acharão dinheiro nem me virando de ponta cabeça e chacoalhando.
Número 6 - A Via Láctea por Legião Urbana
Som que abre o álbum A Tempestade, de 1996, e de autoria de Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá. Foi o ultimo trabalho lançado pela banda que contou com a participação do cantor Renato Russo ainda em vida. Eu não sou lá um grande fã dos caras para opinar, ou mesmo desta música, mas não duvido nada que muito maluquinho por ai deva ter realmente decidido estourar os miolos após ouvir este disco.
Momento adeus mundo cruel:
“E essa febre que não passa E meu sorriso sem graça Não me dê atenção Mas obrigado por pensar em mim”.
Número 5 - Down in a Hole por Alice in Chains
Canção presente no álbum Dirt, de 1992, escrita pelo guitarrista Jerry Cantrell em homenagem a uma antiga namorada. É para o meu amor de longa data – declararia Cantrell. Se tornou ainda mais depressiva devido a impressionante versão executada pela banda durante o show MTV Unplugged em 1996, na qual um já debilitado Layne Staley sofridamente declama os versos da letra.
Momento adeus mundo cruel:
“Dentro de um buraco, perdendo minha alma Dentro de um buraco, me sentindo tão pequeno Dentro de um buraco, perdendo minha alma Dentro de um buraco, fora de controle”.
Número 4 - Goodbye to Romance por Ozzy Osbourne
Música composta em parceria por Ozzy, Bob Daisley e também pelo saudoso Randy Rhoads. É a terceira faixa do álbum Blizzard of Ozz, de 1980, disco de estreia de Ozzy Osbourne como cantor solo. Soa como uma balada sem compromisso, aparentando as palavras de alguém prestes a encarar uma grande mudança, mas no fundo contém uma melodia bastante melancólica que reflete certo sentimento de decepção com fatos que já se foram.
Momento adeus mundo cruel:
“Eu digo, sim Adeus ao romance, sim Adeus aos amigos, a gente se vê Adeus para todo o passado Acho que nos encontraremos Nos encontraremos no fim”.
Número 3 - Down em Mim por Barão Vermelho
De autoria do eterno Cazuza, a canção faz parte do primeiro disco do Barão Vermelho, homônimo, lançado em 1982. Possui uma letra forte e uma memorável introdução no piano, cortesia do tecladista Maurício Barros. Foi relançada ao vivo em uma espetacular gravação no ano de 2005 integrando o álbum MTV ao Vivo: Barão Vermelho, desta vez com Roberto Frejat nos vocais.
Momento adeus mundo cruel:
“Da privada eu vou dar com a minha cara De babaca, pintada no espelho E me lembrar, sorrindo, que o banheiro É a igreja de todos os bêbados”.
Número 2 - Everybody Hurts por R.E.M.
Música composta pelo ex-baterista Bill Berry para o oitavo álbum de estúdio da banda, Automatic for the People, lançado em 1992. Os arranjos de cordas ficaram por conta de John Paul Jones, ex-baixista do Led Zeppelin e atual da superbanda Them Crooked Vultures. Não se engane pela letra positivista. Everybody Hurts é uma tremenda paulada no coração de quem ouve, principalmente se estiver meio ruim das ideias.
Momento adeus mundo cruel:
“Se você está sozinho nessa vida Os dias e noites são longos, Quando você sente que teve demais dessa vida para seguir em frente Bem, todo mundo se machuca Às vezes, todo mundo chora”.
Número 1 - Mad World por Gary Jules
Originalmente gravada pela banda britânica Tears For Fears, foi lançada como single em 1982 e relançada no primeiro álbum da banda, The Hurting, de 1983. Ganhou uma nova versão pelos compositores Michael Andrews e Gary Joules como parte da trilha sonora do filme Donnie Darko, de 2003. Esta reinvenção acabou fixando-se de forma irreversível nas mentes de todos os que assistiram ao filme mundo afora.
Momento adeus mundo cruel:
“E eu acho isso meio cômico. E eu acho isso meio triste. Os sonhos nos quais estou morrendo são os melhores que eu já tive. Eu acho difícil te dizer porque acho difícil de entender. Quando as pessoas andam em círculos é um mundo muito, muito louco”.
E lembrem-se meninos e meninas, não existe nada tão ruim que não possa piorar. Afinal, já dizia o grande Marcelo Nova:
"Se o chão abriu sob os seus pés E a segurança sumiu da faixa Se as peças estão todas soltas E nada mais encaixa