
Desde que abraçou a carreira na TV*, a apresentadora de programas infantis tenta se livrar do registro da sua passagem perturbadora pela pornochanchada nacional.**
Aqui temos uma questão moral que merece ser analisada com cuidado: será que temos, ou não, o direito de apagar as nódoas do nosso passado? Ora, isto acontece todos os dias com as pessoas comuns e anônimas, tanto que algumas se lançam encarniçadamente para apagar os seus vestígios na internet, conforme pode ser comprovado nas várias estratégias criadas para apagar conteúdos que voltam a assombrar como fantasmas do passado.
Portanto, quando nos colocamos no lugar da Xuxa, chegamos necessariamente à conclusão de que ela tem o direito de apagar da história o “Amor Estranho Amor”, filme dirigido por Walter Hugo Khouri. Tudo porque o dilema moral permanentemente colocado diante de toda a criatura humana resulta do constante confronto com o seu passado: quem pode se declarar livre de nunca ter saído correndo para apagar/rasgar uma foto ou se livrar de um texto comprometedor?
Com isto, chegamos ao suprassumo do processo moral consubstanciado pelo arrependimento. Infelizmente, devido à grande estatura da figura pública alcançada por Xuxa, à mulher Maria da Graça Xuxa Meneghel é negado o direito sagrado ao arrependimento sobre cenas que ela gravou com apenas 16 anos de idade, o que representa uma das maiores injustiças que se pode fazer a um ser humano.
Mérito da questão quanto às alegações de pedofilia que pesam sobre a Xuxa: sob quais critérios alguém pode julgar como pedofilia uma cena de nudez protagonizada por uma menina de 16 anos e um garoto de 12? Ao contextualizarmos o panorama sociocultural do fim dos anos 70, descobrimos que na época a atual conotação criminalizadora de “pedofilia” ainda não tinha sido inventada.
*Estranhamente, apesar do filme ter sido finalizado em 1979, só foi lançado em 1982, pouco tempo depois de a Xuxa ter iniciado a sua carreira de apresentadora na TV Manchete – no material de divulgação original, o garoto era o personagem principal e a Xuxa apenas figurante. Depois que a sua carreira na TV decolou, a figurante se tornou a figura central no cartaz e o garoto simplesmente sumiu.
**Os filmes do tipo "pornochanchada" nunca tiveram cenas de sexo explícito, portanto, não há fundamentos nas acusações de que Xuxa participou de filmes pornográficos.
Fonte: Blogpaedia
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